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Radu Vladut: sobre “Saraminda”

Radu Vladut: sobre “Saraminda”

Radu Vladut•

Escritor e jornalista. Em setembro de 2001.

 

Saraminda, a fascinação do inefável

Além de suas virtudes literárias certas, Saraminda é um romance de grande atmosfera, na linha trilhada há mais de meio século por Malcolm Lowry com Under the Volcano, cuja ação tem lugar nas mesmas coordenadas geográficas (aproximadamente). Difícil de construir e com um alvo relativamente restrito, tal romance solicita ao máximo o leitor, impondo geralmente uma segunda e até uma terceira leitura para atingir a decifração do ambiente, principalmente, e da linha épica, secundariamente.

As personagens, porém, precisam antes de uma abordagem permitida mais para os iniciantes. De caráter romântico, mas com uma ampla transmissão para outros gêneros literários, Saraminda, Cleto Bonfim ou Clément Tamba fogem dos moldes do romance de aventuras ou de amor. Persiste a impressão de que as personagens não poderiam viver e não poderiam amar senão só nesse espaço mágico, no qual as palavras ouro e sangue (com valor de símbolo), voltam quase obsessivamente, e a psicologia deles — aparentemente facilmente decifrável — revela no caminho profundezas dificilmente detectáveis.

Saraminda — como personagem feminina — torna-se o mais notável sucesso do romance de José Sarney. A fascinação envolvente é um sintagma pobre para definir a sensação que se nasce ao longo da leitura; acessível, mas sempre intangível, Saraminda deixa a impressão de que não vai pertencer verdadeiramente a ninguém, que não vai se revelar inteiramente nem ao leitor e talvez nem ao autor!

Um tema de reflexão para o poeta, jornalista, romancista e político José Sarney poderia ser a filmagem (intento muito difícil) deste grande romance, pertencendo a uma grande cultura que marca o encontro entre os milênios.

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