A Página do Sarney

Palavra e Obra

João Alves Filho

Com imensa comoção eu recebi a notícia do falecimento do meu grande amigo, do grande brasileiro, do grande estadista de Sergipe João Alves Filho.

João Alves era um dos mais importantes escritores e pensadores sobre os problemas do Nordeste. Eu não conheço livro melhor sobre a região do que o Nordeste, Região Credora, em que ele demonstra que o Nordeste tem sido, historicamente — ao contrário do que parece ser o senso comum e do que é divulgado em todas as mídias —, exportador de capitais para o Sudeste do Brasil. Nos vários livros que escreveu há o mais amplo programa do que precisa ser feito para a região nordestina. Como Ministro do Interior durante o governo da transição para a democracia tive nele um colaborador competente, e dedicado que me deu um apoio fundamental. Encontrou tempo para preocupar-se dia e noite pela irrigação da área do Nordeste que vai da Cachoeira de Paulo Afonso para baixo. Portanto João Alves deixa lacuna importantíssima.

Sua presença na política do Estado de Sergipe é imensa, feita com a teimosia de quem enfrenta todo tipo de contingência negativa para transformá-las em positivas.

É com profunda tristeza que eu estou me juntando ao povo sergipano e a sua família, especialmente à Senadora Maria do Carmo, neste momento de dor. Sinto-me também ferido pela sua morte, pois mantivemos uma ligação de amizade que ia muito além do universo político. João Alves, meu querido amigo, fará imensa falta ao Brasil, ao Nordeste, a Sergipe e a todos nós.

Outra guerra da vacina

Faz parte da História do Brasil a famosa guerra da vacina, do princípio do século XX, em que os cadetes das escolas militares se levantaram contra a vacina que Osvaldo Cruz começava a aplicar e contra o plano para saneamento do Rio de Janeiro. A capital tinha uma situação sanitária precária e péssima reputação. Para completar tivemos a grande figura de Rui Barbosa aderindo à causa contra a vacina de maneira virulenta, colocando sua eloquência para condenar a vacinação obrigatória. Hoje, quando a gente lê os discursos que fez fica Continue a ler

Sala Glauber

Registros audiovisuais de entrevistas, discursos e eventos históricos protagonizados por José Sarney

De seus arquivos, apresentamos alguns registros de entrevistas, discursos e eventos históricos protagonizados por José Sarney.

90 fotos para 90 anos

Em 24 de abril de 2020 José Sarney completou noventa anos. Fizemos uma seleção de fotos para pontuar esses anos.

Entre 1930 e 2020, entre a pequena cidade de Pinheiro e Brasília, entre o Maranhão e a presença no cenário mundial, a vida de José Sarney é um exemplo para todos.

José Sarney: O Homem e a Palavra

Homenagem da Academia Maranhense de Letras a José Sarney.

Eleito para a Academia Maranhense de Letras em 1953, ex-presidente da Casa, José Sarney é há muitos anos o decano dos acadêmicos.

Frases

A opinião de José Sarney sobre a política, a literatura e a sociedade em frases escolhidas.

Ao longo de mais de setenta anos de sua obra José Sarney refletiu sobre os grandes temas da política, da literatura e da sociedade. Aqui está uma seleção de frases que refletem seu pensamento.

Em São Luís do Maranhão, aos 90 anos.
Foto de Edgar Rocha.

60 Anos de Política

Durante 60 anos, a personalidade de José Sarney se destacou na vida política brasileira. Estreando como suplente de Deputado Federal em 1955, teve papel de destaque nas duas Câmaras seguintes, iniciando como Vice-Líder de Carlos Lacerda na UDN — por indicação de Afonso Arinos — e chegando a Vice-Presidente do Partido, representando o grupo da Bossa Nova. Último governador eleito por voto direto até 1982, transformou profundamente o Maranhão. Ao lado de Daniel Krieger, no Senado, fez parte do grupo da Arena que manteve o diálogo aberto com o MDB, participação essencial para que, em 1985, fosse eleita uma chapa civil.

Nos dias trágicos de março e abril coube-lhe substituir Tancredo Neves. Conduziu a transição democrática, restaurando a sede de voto com eleições anuais, inclusive da Assembleia Nacional Constituinte. Em seu período de governo o desemprego ficou na média de 3,8% e a economia cresceu, em números corrigidos, 129% em valor total e 99% em renda per capita.

Senador pelo Amapá, manteve a liderança nacional, sendo quatro vezes eleito Presidente do Senado e do Congresso Nacional.

Presidente do Congresso

Por quatro vezes, José Sarney presidiu o Senado Federal e, portanto, o Congresso Nacional: nas Sessões de 1995/97, 2003/05, 2009/11 e 2011/13. Durante este período modernizou a Casa e teve a iniciativa de importantes reformas legislativas, além de vários códigos jurídicos.

Outros Mandatos

Eleito suplente de Deputado Federal em 1954, Sarney participou de 3 legislaturas na Câmara dos Deputados, e, além de Governador e Presidente da República, exerceu 2 mandatos como Senador pelo Maranhão e 3 como Senador pelo Amapá.

Presidente da República

Presidente da República ao substituir Tancredo Neves, José Sarney assegurou a Transição Democrática, com a realização da Assembleia Constituinte e a promulgação da Constituição de 1988.

Governador do Maranhão

No governo de José Sarney o Maranhão sofreu uma transformação radical, que foi da educação, com o programa João de Barro, à infraestrutura, com a chegada da energia de Boa Esperança e a abertura de estradas de Norte a Sul.

15 de março de 1985. Na ausência de Tancredo Neves, hospitalizado para uma cirurgia abdominal, José Sarney toma posse como Presidente em exercício. 

Poeta e Romancista

Desde cedo José Sarney se dedicou à literatura, vocação que nunca o abandonou. Fez parte do grupo de jovens intelectuais “da Movelaria”, em São Luís, onde se discutia caminhos para a poesia, a ficção, o ensaio e, ao mesmo tempo, para o Maranhão.

Das contribuições na imprensa, inclusive na revistinha A Ilha, saiu o primeiro livro, A Canção Inicial, de poemas. Na vertente ficcionista encontrou tempo para escrever, durante o tempo que governou seu Estado, um livro de contos, Norte das Águas, que lhe deu visibilidade nacional. 

Maribondos de Fogo foi lançado no fim da década de 1970, e marcou sua entrada para a Academia Brasileira de Letras, em 1980 — o que faz com que seja, há alguns anos, seu decano.

Romancista com uma obra marcante — seus três romances foram traduzidos em várias línguas — Sarney tem dedicado grande parte de sua vida a escrever: são hoje 121 títulos, em 169 edições, com traduções em onze línguas.

Saraminda A Mulher, o Ouro e a Floresta O Dono do Mar O Homem, o Mar e o Tempo A Duquesa vale uma Missa O Menino, a Duquesa e o Quadro

O novo Governador do Maranhão aparece com a família numa janela do Palácio dos Leões. Hoje, com sessenta e sete anos de casados, Marly e José Sarney, além dos três filhos — Roseana, Fernando e José —, têm treze netos e quatorze bisnetos.